sexta-feira, janeiro 21, 2011


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Sou assim.

Posso não ser a mãe mais correta, mas sou uma mãe apaixonada, amorosa, generosa e amiga. Muitos me criticam pela maneira como crio minha filha, posso errar, claro, mas tudo o que faço é para lhe proporcionar felicidade, dou toda a liberdade de que ela precisa, já revi todos os meus conceitos e pré-conceitos em relação a filhos, educação, sexo, deveres, obrigações, responsabilidades, e principalmente livre-arbítrio.

Minha filha é livre, na sua totalidade, livre. Já fez um monte de bobagens, mas eu sempre estive lá para amparar, orientar, cuidar. Sou até permissiva demais, mas gosto que as pessoas façam suas escolhas, sempre fui tolhida em tudo, na minha infância, não tinha vontades, pois criança não tem vontades, segundo meus pais, na minha adolescência não tinha liberdade, seguia com minha irmã, mais velha cinco anos, até nos inferninhos, mas não fazia o que tinha vontade, me rebelei, fiz loucuras, pirei na batatinha, bati cabeça, e aprendi com a vida, um aprendizado dolorido pra caramba, talvez por isso deixo minha filha livre, não que vá protegê-la para que ela não erre, não dê cabeçadas, não sofra, não tem como, mas pelo menos ela sabe que tem alguém ali, sempre, mesmo não concordando, ou aceitando, respeita suas vontades e suas escolhas. Brigamos às vezes, pois minha filha abençoada é virginiana. Tenho que falar sério de vez em quando, mais alto, pois tem hora que os filhos não escutam, não querem escutar.

Batidas de portas, palavrões, rebeldia, e a ficha cai. Lá vem a minha menininha pedir desculpas. Claro que nessas alturas lágrimas já pularam na minha face, o coração dilacerado de dor pela mal criação. E tudo se desfaz, e tudo se apaga. Um sorriso, um abraço, desculpas trocadas, beijos trocados e tudo bem. Vamos seguindo. Sou assim.

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