quinta-feira, abril 25, 2013


CAUSOS DE UMA CONTADORA DE HISTÓRIAS

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I - UM DIA NA UTI
Estava euzinha, me arrumando, desamassando o jaleco, na sala de espera onde fica nosso point, e estavam lá algumas pessoas, uma mãe me pergunta se poderia contar histórias pro filho dela na UTI, falei que não havia problemas, era só terminar de me arrumar. Lá fui toda faceira, tava um calor danado, e entramos na UTI, a criança tinha apenas 4 meses, toda entubada, o quarto gelaaaadooo. Perguntei pra mãe se tinha alguma preferência de história, ela disse que ficava por minha conta, que eu contasse o quanto pudesse.
Então comecei a contar, contei a história dos carneirinhos e o lobo, o pequeno polegar, são histórias grandinhas, no meio da contação, as máquinas registrando os batimentos cardíacos e etc... vem o pessoal da enfermaria e começa a falar sobre a normalização da respiração, dos batimentos, que a criança estava acalmando, que isso, aquilo, aquiloutro, a mãe diz que o menino estava dormindo, que estava gostando. E eu suando bicas.
Até me afastei do berço, para os pingos não caírem no menino. Eis que então, uma daquelas máquinas começa a apitar, e eu gelei, arregalei os olhos, comecei a gagejar, a mãe olhou pra mim e falou, que era apenas o soro que tinha acabado, veio uma enfermeira e olhou pra mim, riu(certamente da minha cara) e fez um comentário, sobre a história, nesse ínterim, já tinha rezado para todos os santos e pedido socorro para Nossa Senhora, e o suor pingava mais intensamente, um vexame. Consegui me acalmar e terminei as histórias. A mãe agradeceu muito e saí para outra ala.
Ainda bem que não tinha muita criança disponível na DIP, pois estava em estado de choque(vai que a criança morre ali, naquele momento) e minhas histórias naquele dia não tiveram muita graça. Foram tantas as emoções que cheguei em casa com a garganta fechada, fiquei de molho uns 20 dias.

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